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Ciência, Espiritualidade e Recuperação

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Um seminário sobre dependência química em Cabo Frio-RJ. Organizado pela ABEAD. (Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Drogas). Tema central: Espiritualidade. Que notícia maravilhosa! A nossa espiritualidade! A espiritualidade reconhecida como um dos conceitos da recuperação! Espiritualidade sem rótulo religioso! Espiritualidade sem ódio teológico. A espiritualidade terapêutica. A espiritualidade misteriosa, entrando toda de branco, não pelos fundos, mas sim pela porta da frente da academia. Sorridente pelo enlace. Que sejam felizes para sempre. Bela união.

Tempos atrás, essas três palavras, do topo desse artigo, não estariam juntas em um evento acadêmico. Por que fugir da revisão de literatura , das referências , citações, pesquisas validadas, estudo de casos é ousadia que beira a heresia científica para avançar no conhecimento.

Já a busca do conhecimento da espiritualidade admite uma certa abertura empírica. Pois seus fenômenos desconhecidos, não são alcançados pelas sondas da metodologia cientifica. Ainda lida tida e havida como coisa de religioso, crente fanático. Ela passa a ser quase marginal. Daí a importância de um evento cientifico abordar o tema. Com a razão cientifica. A partir do que não sabemos. É verdade que espiritualidade é um ponto cego que devemos tatear. Curiosos, precisamos entende la. Fazer isso é viver o futuro. Intuimos que ela trás respostas boas sobre a natureza e objetivos da vida. Precisamos ir fundo. Com as armas do conhecimento e da razão. Parece que, hoje, há algo grande novo no ar. As “coisas” podem ganhar novos rumos e avançar no entendimento do tratamento do transtorno, para o bem de todos. 

Contínuo: Está sendo preenchida uma lacuna imensa existente entre tratamento e recuperação, com gente que pensa e tem experiência. De um lado os 1-acadêmicos/profissionais com seus ambientes e técnicas, modalidades psicoterapêuticas e medicamentosas e de outro lado os 2-Dependentes químicos em recuperação/conselheiros e técnicos e seus ambientes tradicionais e consagrados dos grupos anônimos e das comunidades e clínicas com suas estratégias de recuperação. Duas culturas aparentemente irreconciliáveis, separadas por modos de pensar a vida e idéias criadas para a apuração da verdade. “A ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade”. (Lakatos & Marconi, 1992 Os dois lados com sua cultura própria , com suas crostas e armaduras protetoras de “suas verdades relativas”. Dois lados, mesmo tema, mesma intenção, mesmos “problemas”, que agora se aproximam. Em torno da espiritualidade.

Quem se aproxima para estudá-la? Essas mesmas duas culturas: O pessoal das comunidades e grupos de mútua ajuda, com o seu conhecimento prático, pois vivem e convivem com o portador da TUS a muitos anos e o pessoal estudioso, bons acadêmicos, lógicos, sem muita experiência na vivência com o “noia”, mas com o conhecimento teórico, científico, validados e atualizados que precisavam ser testados no torrão verde amarelo. Os dois segmentos que desconheciam se, cada um com seus segredos, com seu modo de operar, com seu jargão próprio e experiência acumulada, não poderiam viver separados por muito tempo.

Um precisa do outro para um bom prognóstico. Os dois lados atraem se. Namoram se. Observam-se curiosos. Enamoram-se. Um tropismo natural acontece , entre os dois, em um cenário onde a polarização é um luxo. Com o tempo, os profissionais acadêmicos, com seu saber notório, foram sendo convidados a trabalhar e participar junto a clinicas e comunidades terapêuticas , e quando o conhecimento cientifico validou a TUS como uma doença cerebral o fato despertou o interesse nos trabalhadores e pessoal em recuperação a fazerem cursos de especialização e capacitação. Pronto: paradigmas em colisão. Temos um novo cenário. A noiva e o noivo. O ponto de intersecção se consubstancia pela necessidade. A espiritualidade sela a fusão. O teórico precisa da prática e a prática do teórico.

Um novo caminho se descortina dessa união. Idéias novas como os novos rebentos, filhos do tratamento e da recuperação que poderão questionar, audaciosamente:

  1. Que todas as conclusões até agora têm sérias deficiências e são questionáveis diante dos resultados que obtemos. Precisamos conversar e construir conhecimento.
  2. Essas inconsistências dúvidas e incertezas é o primeiro passo para transformá las em boas práticas.
  3. Pela concepção de um homem composto de um novo componente (espiritual) será necessário rever as conclusões antigas para um novo constructo terapêutico.
  4. Avaliar e rever, sem medo ou preconceito, não o que fazemos e sim, como fazemos as nossas exagerações e as ensinamos Sobre: medicações psicotrópicas, rezas e benzeduras, curas, técnicas inaplicáveis, tempo de internação, acompanhamento e gerenciamento, políticas públicas, etc.
  5. Aproveitar o termo espiritualidade para sondar os estados alterados de consciência modulados pelas drogas e a busca do verdadeiro sentido da vida como terapêutica, uma visão não bio psico social e sim holística da dep. química.
  6. E outras mil e ....

A onda do tratamento/recuperação está chegando. Tudo caminha para isso A necessidade nos fará surfar nessa onda, de forma mais sistêmica e menos reducionista/mecanicista. A recuperação, sua cultura, sua gente, sua rede disponível será incorporada ao novo processo terapêutico. O futuro chegou.

Autor: Zeca Malheiros.

 

 

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