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Preconceito, Estigma e Planos de Saúde

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É comum aqueles que estejam envolvidos com drogas serem taxados de vários adjetivos negativos, serem olhados com indiferença por grande parte da sociedade. Os que sofrem de transtornos como: TDHA, Bipolar, TOC, esquizofrenia, depressão entre outros.  É também muito comum familiar destes pacientes serem responsabilizados como se fossem culpados por seus filhos terem contraído a doença da dependência química ou transtornos e assim, serem também excluídos de seus meios sociais. É comum a sociedade afastar especialmente os envolvidos com drogas, como se a dependência fosse uma doença contagiosa e a simples amizade, o contato já significasse um contagio. Este afastamento não atinge tão somente o usuário, mas também sua família. É comum dependência química ser sinônimo de bandidagem, delinquência, vagabundice e vários outros pejorativos. É comum o famoso jargão que é atribuído ao dependente químico “litro que vai querosene não sai mais o cheiro”.

Vencer as barreiras que nos são apresentadas dia-a-dia é uma arte pra lá de difícil. Aqueles que conseguem cumprir suas obrigações diárias e voltam para casa são heróis e devem agradecer. Quando tratamos desse assunto sempre nos focamos no dependente. Mas é importante falarmos daquele que vive na dependência dos fatos que se sucedem ao dependente propriamente dito. Em geral são pais e familiares mais diretamente.

Esse texto tem a finalidade de chamar atenção da sociedade para angustia que vive milhares de pessoas pela simples falta de informação ou conhecimento a respeito desse tema. Adriana da Cunha Leocadio, Fundadora da ONG Portal Saúde, que atua há 15 anos na luta pela obtenção do tratamento de diferentes patologias clinicas que são negados pelo Sistema de Saúde Pública ou pelos Planos de Saúde é portadora de transtorno bipolar e sempre relata sua luta emocional e financeira para manter seu tratamento em eterno controle.

Segundo Adriana, “acredito que eu já escrevi a respeito disso mais quando o assunto é importante gosto de reforçar. Com vivência na área de direito e saúde fico chocada quando me deparo com decisões de Juízes, Desembargadores negam liminares para o tratamento dessas doenças que cientificamente, não existem mais dúvidas de que o vício em drogas e transtornos mentais e comportamentais são doenças”.Os mais renomados especialistas concordam, afirmando que se trata de uma doença crônica do cérebro, e não um simples desvio de caráter ou fraqueza moral, como já se cogitou. Da mesma forma, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o vício em drogas como uma disfunção cerebral, como distúrbio neurológico, dando, portanto, caráter patológico a ele.

O Problema começa na hora de buscar um tratamento com dignidade humana. A sociedade ainda trata os portadores de alguma dependência química como marginais ou lixo urbano. Estamos em 2014 e o tabu em torno dessa grave doença é muito. Adriana parabeniza os criadores campanha publicitária –“Crack, é possível vencer”. Extremamente interessante verificar como as famílias conversam com seus filhos a cerca de diferentes temas que já formam um tabu e a reação quando a pergunta é: “e sobre o crack, já conversaram com seus filhos ou vocês acham que isso nunca vai acontecer na sua família.”.

Com todo esse pano de fundo fica muito fácil para os planos de saúde encontrar respaldo até mesmo junto ao judiciário para não custearem os tratamentos dos portadores de transtornos psiquiátricos.  A ignorância da população em relação aos seus direitos é a maior aliada do poder público e a maior inimiga dos pacientes e da sociedade. Sobre esse manto deita em berço esplêndido o maior Tribunal de Justiça de Brasil, localizado no Estado de São Paulo e que alimenta a crueldade dos planos de saúde em não assumir a responsabilidade sobre o tratamento desses portadores de transtornos psiquiátricos oriundos de algum tipo de dependência, seja química, farmacológica, álcool ou cigarro. A diferença entre essas drogas é que umas são socialmente aceitas e outras são marginalizadas mais o padrão de comportamento do usuário é o mesmo.

A psicologia afirma que quando somos demasiadamente rotulados o inconsciente acaba assumindo tais estigmas e isto se confirma no caso da dependência química, pois varias vezes conversando com dependentes se consideram uns lixos e nos questionam; porque perder tempo com eles se não valem nada, muitas vezes duvidando até mesmo de nossa ajuda.

Temos o dever de informar que existem Leis que nos amparam na luta pelos nossos direitos junto aos Planos de Saúde. Não devemos abaixar a cabeça e recuar diante dos constantes descasos com a nossa saúde. Devemos procurar por advogados especialistas na área da saúde para nos orientar e esclarecer os mitos e verdades em relação aos nossos problemas e como devemos proceder.

A maioria das famílias adoece emocionalmente por se culparem pela doença de seus filhos, atingindo estágios elevados de coodependencia devido a fatores externos que são os estigmas e o preconceito da sociedade. Então, fica uma reflexão: como se expor e buscar ajuda ou tratamento com todo este preconceito, rótulos e estigmas existente em torno da dependência química? Portanto, não é somente o ente dependente que provoca uma coodependencia na família, mas de uma maneira geral a sociedade também tem sua corresponsabilidade.

Além disso, essas famílias também adoecem financeiramente. A questão financeira é uma das grandes dificuldades seja da família, seja das entidades de tratamentos, pois na verdade, sem uma política pública ou privada real e efetiva no que tange ao tratamento para portadores de dependência química e seus familiares anulam-se as etapas superadas daqueles que desejam tratar-se. Nada adianta assumir a doença se não encontra tratamento adequado pela falta de dinheiro das entidades, ou desqualificação dessa patologia por parte dos planos de saúde negando o acesso ao tratamento. Apesar de a doença ser reconhecida pela Organização Mundial de Saúde e estar prevista no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar, os convênios médicos negam a cobertura. O alto custo das internações tem sido um entrave para o tratamento da dependência química, especialmente em grau avançado.

Acho que está mais do que na hora de começarmos a somar forças com Universidades, veículos de comunicação, sociedades e representantes do terceiro setor para iniciarmos um projeto de "Recuperar danos", ofertando no mínimo, uma qualidade de vida mais digna para todos nós.

Os novos modelos de tratamento para dependentes químicos e de transtornos mentais ou comportamentais, torna muito elevado financeiramente, por exigir vários profissionais da área de saúde em diversas especializações. É necessária uma equipe multi e interdisciplinar envolvendo profissionais da área da saúde e da educação. Também nos casos de internações há toda uma norma exigida pela Vigilância Sanitária (ANVISA) que requer uma estrutura nas entidades que necessitam de um volume de recursos alto para seu funcionamento. Sendo assim, somente as famílias de alto poder aquisitivo acabam tendo um tratamento de qualidade, deixando fora dele à grande maioria da sociedade. Um portador de doenças psiquiátricas não pode ser submetido ao um tratamento em hospital convencional com paciente de diferentes patologias. A dependência química tem suas características especificas que impede a pessoa de procurar ajuda, no entanto, com estes fatores externos mencionados torna-se um complicador a mais na tomada de atitude para os familiares e o dependente tratar-se.

A inversão de valores é notória, haja vista que enquanto uns lutam por ter uma vida digna, um tratamento digo, outros em contrapartida se deliciam nos arautos da burocracia.  O direito atinge a todos, os deveres igualmente, o que se deve ter em mente “é cada um fazer sua parte", pois só assim poderemos contar com um amanhã mais próspero, digno, eficiente em busca de uma melhor qualidade de vida!

Temos o dever de informar que existem Leis que nos amparam na luta pelos nossos direitos junto aos Planos de Saúde. Não devemos abaixar a cabeça e recuar diante dos constantes descasos com a nossa saúde. Devemos procurar por advogados especialistas na área da saúde para nos orientar e esclarecer os mitos e verdades em relação aos nossos problemas e como devemos proceder.

Autora: Adriana Leocadio – Especialista em Direito e Saúde, Bacharel em Direito e Marketing, Membro da Organização Mundial da Saúde – OMS, Presidente da Ong Portal Saúde.

 

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