Faces e Vozes da Recuperação no Brasil

O movimento Faces e Vozes da Recuperação surgiu nos Estados Unidos da América em 2001, como resultado de um trabalho de mais de dois anos, cujo foco foi uma força de defesa (advocacy) crescente entre as pessoas em recuperação a longo termo de sua adicção de álcool e outras drogas, seus familiares, amigos e aliados.

No Brasil, esse movimento foi apresentado pelo sr Ben Bass, quando do Simpósio Internacional de Alcoólicos Anônimos em 2014.

Um grupo de pessoas que se reunia semanalmente para um programa de rádio (Programa Recuperação – 18 anos no ar de forma voluntária) preocupados com o alto índice de abandono de tratamento (90% das pessoas abandonam sua abstinência antes de um ano), percebeu que esse movimento seria a opção mais eficaz para que as pessoas se mantivessem em recuperação a longo prazo, uma vez que o maior entrave para que esta aconteça está enraizado no estigma, preconceito e discriminação.

Em 26 de Março de 2015 esse movimento foi legalmente instituído no Brasil numa cerimônia que contou com aproximadamente 150 pessoas entre simpatizantes, autoridades e pessoas públicas, realizada na Câmara Municipal do Estado de São Paulo.

Sua fundação é um marco do movimento brasileiro da luta contra o estigma, preconceito e a segregação das pessoas que buscam superar o uso do álcool e outras drogas, independente do modelo de tratamento que as tenha levado ao caminho da Recuperação.

Nós somos mães e pais, filhos e filhas, irmãos e irmãs, maridos e esposas e amigos de pessoas que Recuperaram sua saúde e vivem livres da adicção. Ao nos organizarmos e levantarmos juntos as nossas vozes, nós apoiamos e damos esperança para aqueles que ainda lutam com a adicção e para aqueles que já encontraram o poder da Recuperação Avançada.

NOSSA MISSÃO

Temos como missão, minimizar estereótipos criados pela sociedade acerca dos portadores do Transtorno do Uso de Substâncias (nóia, bebum, sem vergonha) que fazem com que a população em geral forme um conceito infundado, geralmente depreciativo, tomando como verdadeiras as opiniões de outras pessoas, mesmo que não sejam fundamentadas.

Nós de Faces & Vozes da Recuperação no Brasil reconhecemos o valor histórico e inestimável dos grupos de mútua ajuda, sendo os Alcóolicos Anônimos/ Narcóticos Anônimos os grandes percussores da recuperação a longo prazo. Nossa meta principal é de ser a principal organização de apoio à recuperação das pessoas que usam álcool e drogas. Queremos Alavancar políticas que se baseiam em ciência, compaixão, saúde e direitos humanos. Faces & Vozes quer fazer parte da solução do problema e não sermos apenas estatísticas de politicas publicas bem sucedidas ou não.

Acreditamos que a forma mais eficaz da Recuperação a longo prazo acontecer seja:

  • Retratar o alcoolismo e a adicção como problemas para os quais existem soluções de recuperação variadas e viáveis;
  • Fornecer exemplos vivos que ilustrem a diversidade dessas soluções de recuperação;
  • Combater qualquer tentativa pública de desumanizar, objetivar e demonizar aqueles com problemas relacionados ao álcool e outras drogas;
  • Intensificar a variedade, disponibilidade e qualidade no tratamento regional/local e dos serviços de apoio à recuperação;
  • Remover barreiras ambientais para a recuperação, incluindo a promoção de leis e políticas sociais que reduzam os problemas relacionados ao álcool e outras drogas.

As seguintes ideias norteiam o movimento:

  • A recuperação da adicção é uma realidade;
  • Há muitos caminhos para a recuperação;
  • A recuperação floresce em comunidades de apoio;
  • A recuperação é um processo voluntário;
  • Pessoas em recuperação e recuperadas são parte da solução: a recuperação devolve o que a adicção tomou.

Atividades Principais que constituem o coração desse novo movimento de recuperação:

  • Recuperação precisa de avaliação identificando obstáculos à recuperação, avaliando as estruturas existentes de tratamento/apoio à recuperação, identificando os serviços de apoio necessários à recuperação;
  • Educação para a Recuperação (leiga e profissional);
  • Desenvolvimento de recursos (filantropia, angariação de fundos, assistência à redação de solicitação de auxílio financeiro, recrutamento voluntário, participação em estruturas de planejamento / avaliação do serviço);
  • Mobilização de recursos para a Recuperação (organizando a comunidade, operando/apoiando serviços de referência e informação centralizados, servindo como defensores do cliente);
  • Política de Defesa (defesa federal, estadual e política local quanto à legislação, regulação, programação e financiamento);
  • Celebração da recuperação (reforçando a identidade e coesão da comunidade de recuperação, tornando visível a recuperação na comunidade, colocando faces humanas em recuperação via grandes meios de comunicação);
  • Pesquisa (apoiando um programa de pesquisa de recuperação).